sábado, 23 de outubro de 2010

(re)começo .

Nós aprendemos a fugir de qualquer coisa que não seja confortável, amarramos a nossa dor, e ninguem tem que saber que estamos a sofrer por dentro. Eu tento recompor as coisas novamente, acalmar as minhas lágrimas e matar estes medos.



Às vezes o que sinto é um medo de sonhar, como agora. Medo de sonhar com coisas que nunca serão verdade, medo de acreditar demais em mim. Medo de no fim, ver que fui parva por pensar que seriam tantas coisas, que faria tantas coisas. Mas na maior parte do tempo, sonho alto. Sonho alto e sem medo. Acredito em possibilidades sem nexo, às vezes até estúpidas. Vejo-me a abraçar o mundo, a amar, viver, num futuro que não passa de um sonho. Para uma pessoa com tantos altos e baixos, sonho com certas extravagâncias e exageros incomuns. Para quem acredita tão pouco no presente, parece absurdo imaginar e fantasiar um futuro assim, tão incrível.


Talvez seja assim, pois penso sempre que amanhã a minha vida vai (re)começar. Sonho com um momento em que as coisas começarão a andar. O exato momento em que eu descobrirei quem sou e porque estou aqui, descobrirei os meus talentos, os meus vícios e virtudes. O momento em que terei a alma completa o suficiente para começar o que devo fazer. Mas enquanto isso não acontece, limito-me a escrever sobre coisas que talvez não façam sentido para quem as lê, e talvez nem façam sentido para mim, mas confortam e geram mais um turbilhão de sonhos que, inúteis ou não, um dia irão formar uma parte de mim ou então serão simplesmente a prova de que apesar de tudo, sempre acreditei que podia fazer mais alguma coisa.

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