sábado, 18 de fevereiro de 2012

não te percas*

Tu, tu que te iludes, que sonhas, que imaginas, que esperas sentada pelo que queres.
Acorda, levanta-te, corre, luta, ganha. Não percas as tuas vontades, não percas o ser que veneras, acorda para a vida, pára de rastejar pelo que te faz sentir minimamente bem. Tu, ser que apenas se contenta com o que apenas satisfaz. Corre pela vida, percorre os bosques, as cidades, os caminhos, mas encontra-o. Encontra quem precisas, quem te dá o sentido de viver, o sentido em si. Encontra o ser que desperta o ser que em ti existe; encontra-o. Não o percas, já o arranjaste agora vai, corre à procura dele.
Um dia foi-te dada a oportunidade de o conheceres, não deixes que a preguiça do teu ser te estrague o único ser que te foi dado, que te foi realmente entregue. Ser esse que se entregou a ti; corpo, alma, tudo num só. Ambos juntos, formando um só; metamorfose é o que lhe chamam. Qual rasto ardente que era deixado na tua pele ? Qual toque que acelerava o batimento do coração ? Onde está isso ? Onde está isso tudo ? Procura. Mesmo que as luzes dos candeeiros falhem, mesmo que a noite escura como o breu te impeça de ver o caminho, sente. Guia-te pelos momentos, pelas palavras, pelo sentimento. Existe um destino, e demore o que demorar não o hás-de perder.
A vida é feita de rotundas, foi-te dito um dia, não deixes que a tua vida seja como uma autostrada, faz desvios, faz atalhos mas encontra-te (o) . Ruas e ruas, mas o teu destino ao de cima virá.
Esteja ele na esquina, esteja ele onde quer que esteja, encontra-o. Completa-o.
Não deixes que mínimos obstáculos, mínimos erros te tirem aquilo que realmente queres, grita, corre, esforça-te, chora, mas não desesperes; cansa-te, fica exausta, continua a procurar mas não desistas. Um dia, quando encontrares, o caminho a seguir há-de cair-te nas mãos, talvez apenas nas tuas ou num par de mãos que te leva de novo a casa, que te leva de novo aonde te deitas, jamais sozinha, quando não é fisicamente, o teu pensamento nunca falha.